sexta-feira, 25 de novembro de 2011

"Amélia que era mulher de verdade"...
100 anos de Mário Lago
Imagem: Disponível em: <http://www.mariolago.com.br/>
Mário Lago foi um dos grandes artistas e militantes políticos do cenário brasileiro do século XX. 
Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1911, filho de um famoso maestro. Por pretensões da mãe, que sonhava que ele seguisse a carreira de diplomata, formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1933), mas exerceu a profissão por pouco tempo. Logo envolveu-se com Teatro de Revista, escrevendo, compondo e atuando. Criou canções que se tornaram sucesso no país inteiro, como as compostas em parceria com Ataulfo Alves - Ai que Saudades da Amélia; Atire a Primeira Pedra; e a marcha carnavalesca criada com Roberto Roberti, Aurora, celebrizada na interpretação de Carmem Miranda.
Além do teatro e da música, escreveu e atuou em radionovelas (Rádio Nacional – RJ), trabalhou também em cinema e televisão. Ficou conhecido em todo o país pela atuação nas novelas de televisão (Rede Globo), tais como O Casarão, Dancing Days, Elas por Elas, Pecado Capital, O Clone, dentre outras.
Boêmio e ativista político, desde a época da universidade, foi preso sete vezes por sua militância; Mário Lago era comunista convicto. Na época do regime militar (1964) seu nome encabeçava a lista dos ativistas que tiveram seus direitos políticos cassados.
Recebeu, em vida, várias homenagens por sua carreira. Foi tema da Escola de Samba “Acadêmicos de Santa Cruz” (RJ); em 2001, e o troféu da Rede Globo que premia os grandes talentos da teledramaturgia nacional recebeu o seu nome – Troféu Mário Lago. O ator morreu em dezembro de 2001, no Rio de Janeiro.


Proclamação do amor antigramática
                                                     por Mário Lago
"Dá-me um beijo", ela me disse.
E eu nunca mais voltei lá.
Quem fala "dá-me" não ama,
Quem ama fala "me dá"
"Dá-me um beijo" é que é correto
É linguagem de doutor,
Mas "me dá" tem mais afeto,
Beijo me-dado é melhor.
A gramática foi feita
Por um velho professor
Por isso é tão má receita
Pra dizer coisas de amor
O mestre pune com zero
Quem não diz "amo-te".
Aposto que em casa 
Ele é mais sincero
E diz pra mulher: "te gosto"
Delírio dos olhos meus
Estás ficando antipática.
Pelo diabo ou por Deus
Manda às favas a gramática.
Fala, meu cheiro de rosa,
Do jeito que estou pedindo:
"Hoje estou "menas" formosa,
Com licença, vou se indo".
Comete miles de erros,
Mistura tu com você
E eu proclamarei aos berros:
"Vós é o meu bem querer".
Fonte: Disponível em: <http://www.cultura.gov.br/site/2011/11/23/mario-lago/>

Um comentário:

  1. Mário Lago tinha razão : vamos deixar a gramática um pouco de lado e falar mais com o coração ...

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