quarta-feira, 16 de novembro de 2011

20 de Novembro
Dia Nacional da Consciência Negra
Imagem: Disponível em: <http://profanandaschultz.blogspot.com>
O tráfico e a escravização de seres humanos no passado influiu diretamente no destino, na trajetória  da humanidade em todos os segmentos (político, social, geográfico, demográfico, comercial, religioso, valores e padrões morais e éticos), repercutindo na legitimação das massas dominantes através dos tempos dividindo a sociedade entre opressores e oprimidos.

Herdamos enfim, toda uma cultura escravocrata, incutida nas tradições, permanecendo ainda, ligados ao sistema escravagista que impera na sociedade contemporânea e que na maioria das vezes, de forma hipócrita e velada, dissemina o preconceito não apenas na cor e raça (etnia), mas de valores ultrapassados que, lentamente se vão conduzindo pelas novas gerações perpetuando nossa  ignorância em nos mantermos escravizados ao próprio pensamento oblíquo e dominador que legaliza as formas de opressão.

O fim do tráfico não se deu apenas por uma questão humanitária, não devemos esquecer, ocorreu sobretudo, para atender interesses econômicos, pois as expedições para comercializar os escravos já não eram tão rentáveis, esbarrando na hostilização das populações africanas.
Assim, devemos nos orgulhar daqueles que mesmo escravizados, ainda assim ajudaram a construir um país, trazendo-nos a herança de seus antepassados sem esquecer suas raízes e  "fincando" os pés no que aqui encontraram.
Devemos ter orgulho de fazer parte de um país que cultiva a miscigenação, a mistura de raças que nos faz  tão iguais e tão diferentes ao mesmo tempo. Devemos ter orgulho daqueles que passaram pela história propondo episódios que concorressem para o fim do tráfico de escravos e da própria escravidão. 
Devemos ter orgulho, sobretudo, da raiz africana instalada em nosso cotidiano, em nossa essência, sem esquecer da enorme dívida que nós, enquanto parte da sociedade, temos com os negros, cerceando aos nossos semelhantes o direito à liberdade, igualdade e fraternidade, impedindo-os, covardemente, de escolher seus próprios destinos, agredidos em todas sorte de mazelas.

IDENTIDADE
por Márcia Tavares
Minha africanidade não está apenas nos meus balangandans...
Nem na criatividade intrínseca que não permite limites ao meu ser colorido
Não está nas matizes e fortes tons que ornamentam minha vida...
Não sei... acho que ela está na negritude encoberta pela minha pele alva...

2 comentários:

  1. Oi, Sueli,
    Muito bom você ter colocada esta postagem sobre o dia 20 de novembro.
    Tenho procurado abordar esta temática em sala de aula e nas redes virtuais. É importante falarmos a fim de desconstruirmos estereótipos criados no Brasil com a "democracia racial". Veja alguns autores e textos que tratam esta temática:

    Machado de Assis: O caso da vara
    Carolina Maria de Jesus
    Raul Bopp: Urucungo
    Jorge de Lima: Poemas negros
    Bernardo Guimarães: A escrava Isaura
    Isaias Caminha: O bom crioulo
    José de Alencar: O demonio familiar
    Xavier Marques: O feiticeiro
    Jorge Amado: Jubiabá e Balduíno
    Graça Aranha: Viagem Maravilhosa
    Gregório de Matos: A uma mulata chamada Córdula

    BeiJôs

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  2. Olá,
    Quando penso no dia da consciência negra vem a minha frente a imagem de uma grande árvore. A raiz dessa árvore não é visível, mas se estende vários metros abaixo do solo. Sem a força e o sustento dessa raiz toda a árvore morre. Assim, ela continuamente envia o alimento para que os ramos, lá no alto, possam apresentar aquelas linda flores. Se hoje somos as flores, precisamos lembrar que as raízes continuam a nos alimentar.
    Essa semana nós saudamos aos nossos antepassados, que trouxeram até nós uma vasta e riquíssima cultura, da qual somos seus descendentes e precisamos aprender, reaprender e multiplicar. A escravidão foi um momento histórico, porém houve e há muito ainda a agradecer a presença da negritude em nossas vidas.
    Marcelo

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