quinta-feira, 1 de novembro de 2012

31 de outubro
A SMEC homenageou os semifinalistas das Olimpíadas de Língua Portuguesa: "Escrevendo o futuro" - edição 2012

Imagens: Sueli Thomazine
A EMEF - Centro de Demonstração da localidade do Capão do Meio (São José do Norte/RS) teve a honra de ver classificado para a semifinal das Olimpíadas da Língua Portuguesa (edição 2012), o aluno da 
Profª Nelsa Jurema dos Santos: 
ALDENEI DA CONCEIÇÃO MACHADO.

A Biblioteca Pública Municipal "Delfina da Cunha", representada pela bibliotecária Sueli Thomazine, teve a honra de entregar um dos prêmios de reconhecimento para a Profª Nelsa. 
Na próxima semana, os textos classificados estarão expostos na biblioteca pública  e para o momento, publicamos abaixo, a crônica que classificou em 1º lugar no estado do RS, o aluno  Aldenei.

Parabéns a todos educadores  que participaram do evento orientando e incentivando os alunos.
Imagens: Sueli Thomazine
No meio do caminho
por Aldenei da Conceição Mahado
Domingo à tarde, pouco mais de três horas, lá estava eu, assentado na porta da minha casa com caderno e lápis na mão pensando na vida em busca de motivação para escrever uma crônica.
Enquanto vasculhava meus pensamentos, ouvia o canto dos pássaros, o cacarejar das galinhas, os gritos dos perus e das angolistas. Ah, o grito das angolistas! “Tô fraco! Tô fraco! Tô fraco!” Pelo menos é assim que interpreto o som que elas emitem. Mas, acredite! Foram as galinhas d’angola que me trouxeram inspiração para escrever esta crônica. Confesso que ao iniciá-la tremi só de pensar que alguém poderia achá-la patética, mas resolvi correr o risco.
Naquela tarde ensolarada, ouvindo as angolistas cheguei a seguinte conclusão: - Estou fraco! Estou fraco desde o dia que aquela estrada atravessou o meu caminho. O problema é que eu não quero admitir. Sabe, parece loucura! Mas o grito das angolistas mexeu mesmo comigo e de repente me veio à mente aquele poema “No meio do caminho”, que minha professora falou que é de Carlos Drummond de Andrade. A diferença é que no meio do caminho dele havia uma pedra e no meio do meu caminho uma estrada. Ou seria o contrário: No caminho da estrada eu e minha família?
Foi nesse exato momento que entendi o motivo de minha angustia, de minha fraqueza ou desânimo.
Era a “bendita” estrada! Ela estava tirando o meu sossego. Justo ela que um dia me fez sonhar lindos sonhos. Ela que era chamada de Estrada do Inferno e agora havia passado a ser BR 101 ou como alguns preferem: “A estrada do progresso.”
Bem, sempre ouvi dizer que o progresso às vezes nos cobra um alto preço, mas não tinha ideia do valor que deveria pagar por ele. A minha vida toda havia esperado pela estrada de asfalto. Várias vezes pedalei minha bicicleta feliz pela BR 101 só para ver os carros passar. Ficava admirado observando suas curvas acentuadas e agradecendo por não ter mais que enfrentar aquela estrada de chão – que no inverno nos castigava com o barro, lodos e buracos, e no verão com aquela areia do inferno.
Agora, para orgulho de todo cidadão Nortense – pelo menos os que moram no interior de São José do Norte – a BR 101 asfaltada tornou-se realidade. Pena que ela tenha passado justo no meio do meu caminho. Mas o preço do progresso precisava ser pago por alguém. Neste caso, minha família e eu já estamos com as malas prontas e com a indenização no bolso. É hora de partir para uma nova vida em nome do progresso e lembrar para sempre da nossa velha tapera, que ficou para trás porque no meio do nosso caminho tinha uma estrada.

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